TDA/H e dificuldades no rendimento escolar: quando o desafio não é falta de esforço

Dificuldades no rendimento escolar nem sempre são sinônimo de desinteresse, preguiça ou falta de limites. Para muitas crianças e adolescentes, o que está em jogo é uma condição do neurodesenvolvimento chamada Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDA/H).

Compreender o transtorno de forma técnica, mas acessível, é fundamental para transformar trajetórias acadêmicas e emocionais.

O que é o TDA/H?

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por padrões persistentes de:

  • Desatenção
  • Hiperatividade
  • Impulsividade

Segundo o manual diagnóstico Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, os sintomas devem:

  • Estar presentes por pelo menos 6 meses
  • Ser inconsistentes com o nível de desenvolvimento
  • Causar prejuízo funcional em dois ou mais contextos (escola, casa, social)

O TDA/H não é resultado de má educação, falta de limites ou excesso de tecnologia. Trata-se de uma condição com base neurobiológica, associada a diferenças no funcionamento de áreas cerebrais responsáveis pelas funções executivas.

Funções executivas: o centro do desafio

As funções executivas são habilidades cognitivas responsáveis por:

  • Atenção sustentada
  • Planejamento
  • Organização
  • Memória de trabalho
  • Controle inibitório (controle de impulsos)
  • Flexibilidade cognitiva

Pesquisas do National Institute of Mental Health (NIMH) indicam que o TDA/H está relacionado a alterações nos circuitos frontais do cérebro, especialmente no córtex pré-frontal — região diretamente ligada à regulação comportamental e à tomada de decisão.

Na prática, isso significa que a criança quer fazer, mas encontra barreiras internas para organizar-se, manter o foco ou concluir tarefas.

Como o TDA/H impacta o rendimento escolar?

No ambiente escolar, o transtorno pode se refletir em:

  • Dificuldade de concentração durante aulas e explicações
  • Esquecimento frequente de tarefas e materiais
  • Perda de prazos
  • Erros por descuido
  • Baixo rendimento apesar de esforço
  • Dificuldade em iniciar ou finalizar atividades

Com o tempo, surgem impactos emocionais importantes:

  • Frustração recorrente
  • Ansiedade
  • Sentimento de incapacidade
  • Queda da autoestima

Estudos publicados na revista científica The Lancet Psychiatry apontam que o TDA/H não tratado está associado a maior risco de dificuldades acadêmicas, evasão escolar e sofrimento psíquico na adolescência.

Estatísticas: o que mostram os dados?

De acordo com meta-análises internacionais:

  • A prevalência global do TDAH em crianças e adolescentes é de aproximadamente 5% a 7%.
  • Em adultos, a taxa estimada é de cerca de 2,5% a 3%.

Dados da World Health Organization (OMS) confirmam que o TDA/H é um dos transtornos do neurodesenvolvimento mais comuns na infância.

Além disso:

  • Cerca de 60% dos casos persistem na vida adulta
  • É comum a presença de comorbidades, como transtornos de ansiedade e dificuldades de aprendizagem

Esses números reforçam que não se trata de uma condição rara — e sim de uma realidade que exige informação qualificada e intervenção adequada.

Quando procurar ajuda?

Considere buscar avaliação especializada se a criança apresentar:

  • Dificuldade persistente de atenção
  • Esquecimento frequente
  • Agitação excessiva
  • Impulsividade
  • Queda significativa no rendimento escolar
  • Sofrimento emocional associado à escola

Intervenção precoce significa mais qualidade de vida, melhor desempenho acadêmico e maior autonomia.

Diagnóstico: por que a avaliação é fundamental?

O diagnóstico do TDAH é clínico, realizado por profissionais especializados, com base em:

  • Entrevista detalhada com pais e/ou responsáveis
  • Avaliação escolar
  • Histórico do desenvolvimento
  • Aplicação de instrumentos padronizados
  • Investigação de outras possíveis causas para os sintomas

A importância da avaliação neuropsicológica no TDA/H

O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por profissionais especializados. Uma avaliação neuropsicológica completa permite:

  • Mapear o perfil cognitivo da criança
  • Identificar pontos fortes e fragilidades
  • Avaliar funções executivas
  • Diferenciar TDAH de dificuldades pedagógicas ou emocionais
  • Direcionar intervenções adequadas

A identificação precoce reduz o sofrimento e evita rótulos inadequados.

O papel da família e da escola

Família e escola são pilares fundamentais no processo terapêutico.

Quando pais e professores compreendem que o comportamento não é “falta de vontade”, mas expressão de um funcionamento neurológico específico, ocorre uma mudança essencial: do julgamento para a compreensão.

Estratégias simples podem fazer grande diferença:

  • Rotinas estruturadas
  • Divisão de tarefas em etapas menores
  • Uso de recursos visuais
  • Reforço positivo
  • Comunicação clara e objetiva

Avaliação e tratamento do TDAH em São Paulo – atendimento especializado

O Centro Psicopedagógico Maristela Corralero, localizado na Zona Sul de São Paulo, atua com abordagem multiprofissional no atendimento de crianças, adolescentes e adultos com TDAH e outros transtornos do neurodesenvolvimento.

A clínica oferece:

  • Avaliação neuropsicológica
  • Psicopedagogia
  • Psicologia (TCC e abordagem psicodinâmica)
  • Terapia ABA
  • Fonoaudiologia
  • Terapia Ocupacional
  • Orientação familiar
  • Atendimento integrado com escola e equipe médica

O diferencial está na atuação interdisciplinar, com reuniões de estudo de caso e plano terapêutico individualizado, promovendo desenvolvimento cognitivo, emocional e social.

Empatia transforma trajetórias

Uma criança com TDA/H não precisa de rótulos. Precisa de orientação. Precisa de estratégias. Precisa ser vista para além das notas.

Com avaliação adequada, orientação à família e apoio terapêutico, é possível promover desenvolvimento, autonomia e confiança.

Olhar com empatia não apenas melhora o rendimento escolar —transforma trajetórias inteiras.

Fontes e referências

  • American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM-5-TR. 2022.
  • National Institute of Mental Health. Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder – Statistics and Overview.
  • World Health Organization. Mental Health and Neurodevelopmental Disorders Reports. (OMS)

Maristela Corralero - Centro Psicopedagógico
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